
“Sou assistente social há mais de 15 anos e trago uma trajetória profissional construída, principalmente, na Atenção Primária à Saúde. Quando entrei no Instituto Protea, passei a atuar junto a mulheres que estão em outro ponto da rede de saúde, vivenciando o acesso ao tratamento do câncer de mama.
Independentemente do ponto da rede em que estamos, uma coisa ficou muito clara para mim: não atendemos apenas um diagnóstico. Atendemos uma mulher que vive em sociedade.
Por trás do câncer de mama existe uma mulher que pode ter família ou estar sozinha.
Uma mulher que trabalha, que perdeu o trabalho ou que precisou interromper sua vida profissional por causa do tratamento. Existem mulheres com uma rede de apoio fortalecida e outras que enfrentam esse momento praticamente sozinhas.
E é por isso que o cuidado não pode se limitar ao tratamento do câncer.
No Protea percebo diariamente a importância de olhar para essa mulher de forma integral.
Muitas vezes, junto com o diagnóstico, surgem ou se aprofundam dificuldades sociais, financeiras e familiares. A necessidade apresentada inicialmente nem sempre é a única.
Uma dificuldade para comparecer ao tratamento pode estar relacionada à falta de recursos para o transporte.
Uma preocupação com o afastamento do trabalho pode trazer dúvidas sobre direitos e renda.
Em outras situações, existe a necessidade de acessar serviços da assistência social, da saúde ou outras políticas públicas.
É nesse contexto que a conexão com a rede se torna tão importante para o nosso trabalho.
Participar de um encontro de redes vai muito além de conhecer serviços ou atualizar contatos.
É uma oportunidade de fortalecer relações, compreender o trabalho desenvolvido por cada serviço e construir caminhos possíveis para as mulheres que atendemos.
Quando conhecemos melhor a rede, suas referências e possibilidades, conseguimos realizar encaminhamentos mais qualificados e pensar em um cuidado que não esteja restrito a uma única instituição.
A mulher que chega ao Protea continua vivendo em seu território.
Ela pode precisar acessar diferentes serviços e políticas públicas ao longo da sua trajetória.
Por isso, acredito que ninguém cuida sozinho.
A integração do cuidado

Como assistente social, vejo uma riqueza muito grande nesses espaços de troca. No Grupo de Apoio CORES do Protea, dedicado às pacientes do Hospital Santa Marcelina de Itaquera (SP), o resultado dessas trocas acontece todos os dias.
Estar próxima dos serviços, conhecer os profissionais, compartilhar experiências e discutir possibilidades fortalece nossa capacidade de apoiar mulheres que estão em situação de vulnerabilidade ou fragilidade. Minha experiência anterior na Atenção Básica também me trouxe uma bagagem importante para estar nesse espaço. Trabalhar próxima do território e das diferentes políticas públicas me deu mais autonomia e segurança para dialogar sobre assistência social, saúde e educação de forma integrada.
Participar desse primeiro encontro de redes representando o Protea foi uma experiência muito significativa. Reforçou algo em que acredito profundamente: cuidar é reconhecer que cada pessoa tem uma história que ultrapassa o diagnóstico e o serviço que estamos oferecendo naquele momento.
No caso das mulheres que acompanhamos, o câncer de mama é uma parte importante da história, mas não é a história inteira.
Existe uma mulher antes, durante e depois do diagnóstico. Existem relações familiares, dificuldades, medos, sonhos, direitos e possibilidades.
E nosso papel, enquanto profissionais e serviços que fazem parte dessa trajetória, também é construir pontes: entre a mulher e seus direitos, entre uma necessidade e um serviço que possa acolhê-la e entre o tratamento de saúde e as outras dimensões da vida que também precisam ser cuidadas.
É nessa conexão entre pessoas, serviços, políticas públicas e organizações que conseguimos construir um cuidado mais integral e próximo da realidade de cada mulher.
No Protea, fortalecer a rede significa ampliar possibilidades. E, quando trabalhamos conectados, conseguimos olhar para além do câncer e enxergar a mulher por inteiro.”
Dani Donadio | Assistente Social
em nome do Time Protea


